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Brasil

Orocil Junior: O alfabeto de planos da canalhada golpista

DO BAHIA TODO DIA 31/05/2016 | 21h00

O alfabeto de planos da canalhada golpista

por Orocil Junior *

Agora que as provas materiais do golpe estão sendo, aos poucos, descortinadas e que aquela massa de patéticos frenéticos de verde-e-amarelo viram em que confusão se (nos) meteram, vamos ao que interessa.

Os altos interesses dos neoliberais, dos rentistas, do grande capital, inclusive internacional, não dão margem a conjecturas. O plano, que foi meticulosamente engendrado nos últimos dois anos, em sucessivas reuniões – primeiro, às escondidas, que somente as gravações de delatores nos franquearam ouvir, e depois com os escrúpulos às favas, como bem demonstrou o ministro Gilmar, no seu passeio noturno do último sábado no Jaburu -, continha opções de A a Z, porque o importante, para eles, é não retroceder a marcha do atraso e da barbárie antipopular.

Como só acontece quando você contrata maus prestadores de serviços, os planos A e B começaram a fazer água. Não era para menos: os pombossujos do PMDB, disciplinados magarefes da democracia, sabiam que, mais dia, menos dia, o seu trabalho grotesco – somente destinado aos que não têm qualquer biografia a guardar – seria desnudado. Não à toa, e graças à interlocução global com as mentes livres daqui e de fora, via internet, ecoou mundo afora a farsa do processo de impeachment, cujo ápice de vergonha veio nos discursos de cada um dos 367 deputados amantes das suas próprias famílias, das suas amantes, dos seus patrimônios enxertados, naquele dezessete de abril inesquecível.

Tanto fizeram por escancarar o próprio despudor, que sequer os seus alicerces midiáticos têm mais como esconder: os editoriais da folha de São Paulo e de o globo (em caixa baixa, revisor, porque eles não estão à altura) são a prova inconteste que é preciso lançar mão das demais letras que compõem o festim diabólico.

Pois bem, isto é, pois mal. Considerada a enorme chance de a Presidenta Dilma Rousseff vencer a batalha final da votação no Senado Federal, que a canalhada congressista quer apressar para início de agosto, o que pressupõe a reversão de apenas dois votos (já sinalizada por Acir Gurgacz, Romário Faria e Cristovam Buarque, que buscam preservar as suas bases eleitorais, já elas dentre os que têm certeza da honradez da mandatária afastada), os juízes beiçolas e os mordomos de filme de terror já se apressam colocar em andamento a letra seguinte do plano.

Uma vez mais subindo a rampa do Planalto, Dilma não governará. Claramente porque, se antes não lhe deram chances de tentar combater a crise econômica, agora mesmo é que tréguas não ofertariam, muito menos com uma pauta mais à esquerda, da qual não poderá se dissociar nenhum governo que se contraponha ao status quo neoliberal. Como se sabe, o Congresso manda e quem manda ali tem horror às medidas que expandam mais a renda e não restrinjam os já minguados benefícios da população mais vulnerável da sociedade. Correrá setembro e a agonia dos telejornais será chegar janeiro.

A Globo, que se notabilizou pelo incansável apoio a golpistas de toda ordem, desde tempos que não queremos lembrar, poderá enfim cantar com mais nitidez o coro que a caracteriza todo fim de ano: “hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou”. Porque tão logo restaurada a normalidade, a canalha golpista, que não admite perder, sacará o seu trunfo: a cassação da chapa Dilma/Temer no TSE, presidido já pelo pau mandado peessedebista. 

E o sacrossanto (para lá eles) art. 81 da Constituição Federal, então, poderá ser aplicado. Eleições indiretas, ou seja, deputados e senadores, em um prazo de 30 dias, se reúnem e escolhem o novo presidente da República, para seguir até 2018. Afastados os pombossujos, a essa altura já enredados nas suas defesas na lavajato, têm caminho aberto para voltar ao poder os próceres do tucanato, meticulosamente poupados das manchetes e em tudo agradecidos aos milhões de trouxas com camisas da CBF. E o que é pior, sem o verniz do golpe escancarado, já que “tudo se fará como prevê a Carta Magna”.

As letras estão aí. É que falta combinar, para o plano dar certo, com a imensa massa de guerreiros que, hoje, ocupam ruas, praças, prédios públicos. Se estes quiserem – e hão de querer – o alfabeto não se completa.

* Orocil Pedreira Jr é jornalista e Bacharel em Direito



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