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Entrevistas

Lídice ao BTD:

Senadora e pré-candidata ao governo em 2014, Lídice da Mata afirma que "a alternância de poder é um pressuposto básico da democracia" e que o seu partido, o PSB, está preparado para a disputa.

Ao se apresentar como uma alternativa na disputa contra o PT e o PMDB/DEM na sucessão estadual, a senadora Lídice da Mata (PSB) acredita que uma eleição, mesmo com poucos recursos e tempo de televisão, é possível num cenário cada vez mais disputado na Bahia. Sem postura e discurso de oposição, ela confia na alternância de poder e que a população entenda o papel do seu partido no projeto de mudança captaneado pelo PT nos últimos anos para chegar à vitória em outubro.

BTD -  Senadora, o que levou a senhora a romper com a base do governador Wagner e se lançar candidata?

O nosso entendimento sempre foi o de que a alternância de poder é um pressuposto básico da democracia, e que para ser coerente com esta ideia era necessário que houvesse uma alternância também na liderança dos partidos que compõem a base do governo. O próprio governador já havia declarado que era melhor entregar o poder a um aliado que a um adversário. Lamentavelmente, o conceito da hierarquia prevaleceu sobre o da parceria. Meu partido, eu e os companheiros de estrada decidimos que era o momento de colocar uma candidatura do PSB para análise do público. Não significa rompimento, é o afastamento do projeto atual de governo para construir uma nova proposta de governo na Bahia. 

BTD -  Na sua opinião, o projeto comandado pelo PT se esgotou no Brasil e na Bahia? Como a senhora vê os governos Dilma e Wagner

Nós não só reconhecemos a contribuição que o PT deu para o Brasil como para a Bahia, como nos vemos como atores dessas conquistas. É esta perspectiva que nos dá a tranquilidade para nos apresentarmos enquanto alternativa a este modelo, tanto no Estado quanto no País. Porque se é verdade que Lula foi o responsável pela inserção de milhões de brasileiros no mercado de consumo - seja pela recomposição do salário mínimo, seja pelos programas de transferência direta de renda -, também é verdade que os rumos atuais da economia apontam para a ameaça a essas conquistas. E da mesma forma que Wagner representou o fim do coronelismo na política baiana com seu caráter republicano, hoje nos vemos diante do risco de um retrocesso com o reagrupamento das forças mais reacionárias da Bahia. E na raiz destas ameaças está o mesmo problema: os governos de coalizão. Está na hora de inaugurar o governismo programático, em que as bases da negociação entre executivo e legislativo não sejam os cargos e as benesses, mas a defesa dos pressupostos básicos de cada legenda para o desenvolvimento.

BTD - O processo de escolha de Rui Costa e da chapa governista deixou muitas mágoas na base do governo. Na sua opinião, estas ranhuras favorecem mais a sua candidatura ou a oposição?

Como já havia dito, nós não rompemos com ninguém, apenas nos retiramos de um processo por entendermos que foi um equívoco o PT optar por manter-se à frente de um projeto que era de muitos partidos. Isso nos deixa muito à vontade para continuar conversando com todos os partidos que chegarem ao mesmo entendimento. Independentemente de angariar apoios oficiais, nós já temos recebido apoios pessoais de vários integrantes de partidos que permanecem na base governista, e até mesmo de fora dela. Todos são bem vindos, mas o foco neste momento é trazer para a nossa candidatura as legendas que ainda não  declararam apoio oficial a nenhum candidato.  

BTD - Qual direção política a senhora vai dar a sua campanha, considerando a aproximação do presidenciável Eduardo Campos com a oposição ao governo federal? Vai ser uma candidatura oposicionista no Brasil e na Bahia?

O que é importante é que as pessoas saibam que o que nós temos é posição. Nosso posicionamento é pelo desenvolvimento econômico sustentável da Bahia que implica na combinação de aumento de renda com justiça social e equilíbrio ambiental; nosso posicionamento é pela qualificação dos serviços públicos essenciais, como saúde, educação e segurança; pelo respeito ao voto dado pelos eleitores de cada município e, portanto contrário a perseguições políticas de toda ordem, como as que sofri quando fui prefeita. 

BTD - O PDT virou uma noiva cortejada após Wagner preterir Marcelo Nilo na chapa governista. Há chances do Partido e do presidente da Assembleia estarem na chapa junto com a senhora e Eliana Calmon?

O PDT é um partido respeitável tanto no plano estadual quanto no federal, com quadros da mais alta qualidade, como o senador Cristóvam Buarque. Da mesma forma o deputado Marcelo Nilo é um companheiro de longa data, estivemos lado a lado nos momentos mais difíceis, na oposição que fizemos ao grupo de Antônio Carlos na Assembleia Legislativa e é claro que gostaria de ter esse apoio. 

BTD - Com quais partidos a senhora já pode contar numa possível aliança?

Temos conversado com vários partidos, mas as negociações mais adiantadas para uma composição formal da nossa chapa são com o PV e o com o PPS.  

BTD - O que o PSB pode apresentar de diferente aos eleitores baianos, uma vez que o partido foi aliado do governo até o início desse ano?

Os baianos podem esperar do PSB o compromisso com um novo modelo político, estabelecendo com os demais partidos uma relação programática e não pragmática. O que nós queremos dizer é que vamos superar este modelo que troca cargos e benesses do executivo por apoio no legislativo. Sabemos que teremos dificuldades para mudar a atual cultura política, mas se queremos e precisamos inovar para atender ao clamor que vem das ruas, não será copiando o que se faz hoje, muito menos regredindo ao passado.

BTD - Quais os principais problemas enfrentados pelo Estado e como a senhora pretende abordá-los?

Wagner herdou de seu antecessor uma Bahia com muitas carências, com os piores índices sociais do Brasil e gravíssimos problemas de infraestrutura, como o estado  vergonhoso de sua malha rodoviária. Wagner ampliou o acesso aos serviços públicos essenciais. Nós vamos qualificá-los. E qualificar é mais que prover infraestrutura adequada ao funcionamento dos serviços de saúde, educação e segurança, é capacitar os profissionais. E capacitar é mais que treinar profissionais para prestar um serviço eficiente, é dar as condições para que esta prestação tenha um caráter humanizador. Todo servidor público, seja ele professor, médico, ou policial deve tratar o cidadão como um igual, um portador de direitos. E para plantar a semente desta nova cultura no serviço público é preciso que o governo dê o exemplo e estabeleça uma relação igualmente humanizada com os servidores, de valorização, de colaboração, de respeito e de cobrança recíprocos. É esta a revolução que propomos.

BTD - Em um eventual segundo turno com sua participação, o PSB estará aberto a receber o apoio dos setores derrotados no primeiro turno? O apoio do PT seria mais natural, considerando sua trajetória. Mas aceitaria o apoio do PMDB, PSDB e DEM?

Não tem cabimento discutirmos segundo turno nesse momento em que as candidaturas ainda nem forma homologadas nas convenções. 

BTD - Sua candidatura está à esquerda do PT?

Certamente. Este tem sido, inclusive, o motivo pelo qual temos recebido inúmeros apoios pessoais de esquerdistas que ainda se mantém na base do governo.




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