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Entrevistas

'ACM Neto não vai interferir na escolha do presidente da Câmara'

Vereador eleito pelo DEM, com 6.787 votos, Leo Prates tem 34 anos, é casado, formado em engenharia elétrica (em 2005), com pós-graduação em Administração pela Ufba. Ao BAHIA TODO DIA, o vereador fala de reforma política, dos desafios da administração de ACM Neto, que está à disposição do prefeito. O vereador também listou os desafios da Câmara Municipal para mudar sua imagem perante a sociedade e destacou os seus projetos prioritários no Legislativo. Sobre a presidência da Câmara, Prates afirma que o prefeito eleito não vai dar pitacos. É esperar para ver. Por Moacy Neves e Cíntia Kelly

DO BAHIA TODO DIA | 11/12/2012



Bahia Todo Dia - Sua eleição tem a ver com a renovação que a política apresentou esse ano ou você estava fadado a ser vereador?

Leo Prates – Minha eleição passa por três fatores preponderantes. O primeiro (o PT usou muito essa expressão) foi fazer parte de um time. Eu tenho uma trajetória de 12 anos atuando profissionalmente ao lado de um grupo político. Fui secretário-geral do DCE da Ufba, presidente do CA de Engenharia Elétrica, fundador da Juventude do PFL. Então, o primeiro fato é a minha militância estudantil e partidária. Era conhecido das forças políticas e no meu partido por essa militância. Não era conhecido do grande público. O primeiro vitorioso com a minha eleição foi o meu grupo político, pois foi ele que me forjou. E ai, especificamente, a liderança do grupo, que está no prefeito eleito ACM Neto. Queria destacar também uma participação preponderante no processo político e na decisão de ser candidato. Eu demorei muito de tomar a decisão de ser candidato. Só tomei entre os dias 28 e 30 de abril desse ano. E o deputado estadual Bruno Reis (PRP) teve papel importante nessa decisão. Um segundo fator foi a candidatura forte do meu partido e do grupo, que acabou vitoriosa. (...)A disputa não. Saímos do zero para três vereadores eleitos nessa eleição. Foi uma vitória muito grande. Somos a terceira maior bancada da Câmara, perdendo apenas para o PT e o PTN. Elegemos quadros que têm identidade com o partido, como eu e o vereador Cláudio Tinoco. E esse conjunto acabou elegendo o vereador menos votado da cidade. Se pra fora isso soa como demérito, mas pra dentro isso é mérito e prova que tivemos um conjunto de candidatos que favoreceu a eleição com uma baixa linha de corte, como a gente chama no partido.  Quanto à questão da renovação, acho que muitas vezes a imprensa trata de uma maneira muito simplória a mensagem do eleitorado. Acho que o papel preponderante na renovação que houve para a Câmara de Vereadores no próximo ano não foi apenas uma vontade do eleitorado. O que aconteceu, e a gente vê com muita felicidade uma discussão na Câmara Federal, é que precisamos rediscutir a democracia. Trinta e dois partidos numa democracia como a nossa é muito. Você, às vezes, não sabe distinguir a diferença ideológica entre um e outro. Eu sempre dou como exemplo o vereador Téo Senna (PTC), que teve uma excepcional votação nessa eleição (7.179 votos) e não foi eleito porque o partido dele não formou um grande elenco de candidatos e acabou o seu partido não elegendo vereador algum. (...) Tivemos 1.308 candidatos dentro de Salvador.   


BTD - Então nós precisamos ter reforma política...
LP - Precisamos de uma reforma ampla e acho que é preciso dar um freio. Acho que, primeiro, a Câmara Federal deve estancar, a partir de agora, a constituição de novos partidos. Eu dou como exemplo Téo Senna e  eu. Temos a mesma matriz ideológica. Podemos discordar em pontos específicos da discussão política, mas nada tão gritante que não possamos estar no mesmo partido. É preciso encurtar esse espectro político de partidos. Nada pra ser ditadura, pois temos partidos que não são grandes, mas tem papel importante na democracia, são partidos ideológicos. Mas, acho que não é mais que necessário do que o número de partidos que já existe hoje pra você ter uma democracia plena.

BTD – E como é que vocês irão fazer para administrar isso em Salvador, já que a Câmara elegeu vereadores de diversas agremiações políticas?
LP – Realmente está muito pulverizada

BTD – Você vai ter um papel importante na Câmara, se não ficar na gestão. Como está o debate interno para administrar esse consórcio partidário? 
LP – Essa pulverização gerou algumas coisas atípicas. Nós entramos na Câmara com uma base muito maior do que o que a imprensa está colocando. Por exemplo, nós ganhamos o apoio do vereador Palinha (PP), que fez parte da coligação do candidato Nelson Pelegrino. A cidade elegeu ACM Neto esperando uma mudança na modelagem política, pois a que está aí, principalmente na Bahia, não está funcionando. Nessa concepção atual, você entrega uma determinada secretaria a um partido e aquilo vira feudo desse partido. E você acaba perdendo autoridade sobre aquilo porque é o partido que controla. O próprio prefeito João Henrique assumiu que um dos problemas da sua gestão foi o que se chama de loteamento político. Como você remodela isso? A primeira coisa é que, sendo seis os partidos que apoiam, incluindo o seu (DEM), isso lhe dará oportunidade de escolher muitos técnicos. Os partidos estão muito conscientes de que Neto tem que fazer uma grande gestão, pois é o futuro de todo mundo que está em jogo. Essa consciência está levando os partidos a deixarem Neto muito à vontade. Não é que Neto não possa escolher dentro dos partidos pessoas que ele ache que tem competência para exercer determinado cargo. Mas, não será também o partido que dirá que “esse é o meu indicado e você vai ter que aceitar isso”. Está todo mundo muito consciente de que ele precisa fazer uma grande administração e a cidade espera isso dele: de colocar em primeiro lugar os interesses do cidadão e escolher técnicos competentes. Você até brincou comigo se estaria na Câmara ou no governo. Espero que o prefeito fique muito à vontade. Fui assessor dele e tenho muito orgulho de participar dessa vitória e imprimir com ele essas mudanças. Estou muito feliz com a minha eleição e agradecido ao povo de Salvador. Estou à disposição dele para qualquer coisa que ele precisar. Eu brinco muito usando o futebol: quando o time joga fora, escala mais defensores e quando joga em casa, escala mais atacantes. Eu espero que ACM Neto escolha o que ele achar melhor para o momento. Se a gente estiver jogando fora, que ele escale mais zagueiros. Se estivermos jogando em casa, que ele escale mais atacantes. Escolha o que achar melhor para o momento político. Fique à vontade, pois o meu sonho é ver ACM Neto o melhor prefeito do Brasil e ver a autoestima da nossa cidade resgatada; que os serviços públicos funcionem com primazia e eficiência. 

BTD – E na Câmara, o que você acredita que pode ser feito? Porque o pensamento médio é que existe é que ela vem se apequenando e não cumpre o papel de Legislativo, se tornando um apêndice do Executivo. Com essa imagem pode ser mudada?
LP – A primeira coisa é o que falei antes, é a possibilidade da remodelagem política. Eu acompanhei uma entrevista coletiva de ACM Neto em sua casa, onde ele foi questionado sobre a Presidência da Câmara e ele respondeu que não iria entrar nessa discussão. Essa primeira mensagem eu acho muito importante para o papel de independência da Câmara. Seja quem for (o presidente) terá que dialogar com todas as forças políticas que existem na Casa. A segunda questão que acho que a Câmara pode fazer e ela tem uma grande oportunidade, pois a qualidade dos vereadores que foram eleitos há muito não se vê - com todo respeito a quem ai está - mas a Câmara elegeu quadros que espero observar com muita atenção, mesmo que estejam em campos distintos do meu. Veja que o povo elegeu um ex-governador da Bahia que é Waldir Pires, um tributarista renomado e vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito. Elegeu auditores do Estado, como Ana Rita Tavares, que é do Tribunal de Contas do Estado. Elegeu jovens que são promissores, mesmo de campos políticos diversos. Eu e Hilton (do PSOL) fomos colegas do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Ufba. Espero observar com será a sua atuação nesse cenário todo. Elegeu Marcelo Moraes, com bandeiras e lutas específicas, representando segmentos específicos da sociedade. A gente espera que essa pluralidade e essa qualidade que a Câmara teve se reflita em resultados para a população. Ela tem uma grande oportunidade de mudar a sua imagem e se requalificar. Mas eu dou como exemplo o Flamengo, que no seu centenário montou um dos melhores times da história do Brasil, mas que não trouxe resultado prático para os torcedores. A gente tem, individualmente, uma Câmara qualificada, mas é necessário que ela dê resultados para a população de Salvador. Por exemplo, a Ana Rita e o Marcelo têm uma proposta clara em defesa dos animais. Devem levar isso para a gente fazer um debate amplo na Câmara sobre o tema. Eu tenho uma pela pessoa com deficiência. Levarei propostas, defenderei veementemente as ONGs que prestam esse serviço. A Bahia não teve um medalhista nas Olimpíadas de Londres, mas teve um nas Paraolimpíadas, porque temos ONGs que trabalham e preparam esses jovens. Atuarei também como interlocutor para sensibilizar os empresários para o cumprimento da lei que reserva um determinado número de vagas para pessoas com deficiência. Espero que essas bandeiras e a pluralidade da Câmara possam dar resultados benéficos para a população. E apoiando o prefeito eleito, sem perder sua independência. Por exemplo, tem projetos que geram custos para o Executivo que os vereadores não podem apresentar, mas tenho certeza que o prefeito eleito estará aberto para ideias e sugestões que possam trazer benefícios para toda a população. No meu caso específico, estou tranquilo, pois foi o prefeito quem me aproximou das entidades que lutam pela pessoa com deficiência. Tenho certeza que ele terá uma sensibilidade maior com as pessoas desse segmento. Veja, dos 74 espaços culturais da cidade, apenas seis estão preparados para receber essas pessoas, alijando cerca de 500 a 700 mil pessoas de ter acesso a cultura com mais facilidade. 

BTD – E no que diz respeito aos problemas da cidade, como a mobilidade? Na Câmara a discussão ficou limitada a Metrô X VLT, quando a cidade tem necessidades de incluir outros modelos de transporte e incentivar outras formas de as pessoas se locomoverem. Como a Câmara pode debater melhor problemas como mobilidade, educação, saúde, que é um dos problemas mais gritantes da administração municipal. Com o Legislativo pode tratar isso e encontrar soluções?
LP – Eu citaria três problemas básicos que afligem a população de Salvador: segurança pública, saúde e trânsito e transporte. Um exemplo sobre o transporte é se uma pessoa tiver um infarto em São Cristovão à 6h da tarde e for levada para o Roberto Santos, é capaz de morrer no caminho, pois é um trânsito realmente massacrante. Veja que o trânsito coloca em dificuldade setores como saúde e segurança pública, pois um bandido foge com muita facilidade nesse trânsito. Prejudica muito os serviços públicos que o poder público tem que oferecer. Segurança pública é um dever do Estado, mas ACM Neto se elegeu prometendo que iria ajudar nessa questão e a gente espera isso. Que governo estadual e prefeitura se deem as mãos em prol de Salvador. Fique muito feliz com a declaração do ex-prefeito Imbassahy que propôs um pacto por Salvador. A gente também precisa encontrar um outro eixo de desenvolvimento econômico para Salvador que não seja só a Paralela. Está se desenvolvendo ali um corredor de shoppings centers, que leva um tráfego descomunal, além das moradias em construção. E qual seria esse indutor? A rodoviária. Quando ACM a levou para aquele local, transformou aquele polo – que encerrava ali na região do Iguatemi – em um novo polo de desenvolvimento econômico da época. Pode-se levar a rodoviária para alguns pontos da cidade, que desafogue o trânsito naquele local, que é o grande gargalo da cidade. Vi governador Wagner até abraçar essa ideia, embora não concorde com a opção que ele dá (Via Parafuso). Temos outros pontos, como o Subúrbio, que tem o menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade e precisa se desenvolver economicamente. Além disso, tem a discussão dos modais. Vamos receber a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas.  Como defensor do esporte, entendo que elas precisam deixar um legado para a cidade. Todos os grandes eventos mundiais foram uma oportunidade para que os gestores fizessem um novo momento para aquelas cidades. Então, você precisa ver qual o melhor modal para toda a cidade. O metrô precisa chegar até Cajazeiras. Coordenei a campanha de ACM Neto ali no segundo turno e vi que é um horror.  Vejo como positiva a ideia do governo Wagner de construir a Avenida 29 de Março. Precisamos começar a reconstruir vias na cidade. A última grande via construída foi a Luiz Eduardo Magalhães.  

 

BTD – Você defende o metrô como transporte de massa?
LP – Eu preciso me aprofundar mais sobre a questão, mas pelo que pude conhecer até agora, eu não sei, por exemplo, se ele é o melhor modal para a Paralela. Claro que está nas mãos do governo do Estado, mas é preciso ter uma reflexão. Levaram-se 12 anos para construir o metrô atual. Quanto tempo levaria para se construir na Paralela? Ele urge soluções. Meu receio é que, quando pronto, já esteja obsoleto, como o atual. Precisamos encontrar talvez um modal que seja mais rápido para execução e implementação para a sociedade. 

BTD – Você acha que num mandato de quatro anos é possível construir essas coisas que você falou, de debater o projeto e implementá-lo? Querendo ou não, Já tem um ponto inicial: um metrô de 6 km, um projeto com verba prevista para o metrô da Paralela. É possível, nesse período, apresentar uma nova realidade em relação ao transporte para a cidade?
LP – Eu acho que nós fomos eleitos prometendo o que poderia cumprir. Em quatro anos podemos melhorar o trânsito que está ai, até porque existem soluções simples que podem fazer isso, inclusive mostradas por Neto e Pelegrino. Você não vai resolver tudo e precisamos jogar com muita clareza. Quanto ao modal, defendo uma discussão mais forte sobre isso, embora a responsabilidade seja agora do governo estadual. Agora, temos três grandes competições importantes, que precisam, pelo menos, ter um modelo de transporte em execução. Não podemos ter apenas os dias de jogos como feriados para resolver o problema do tráfego durante essas competições. Se o metrô é o melhor meio, que ele seja implementado o mais rápido possível, pelo menos até a Copa de 2014. A Copa das Confederações é um teste e o Mundial, o jogo propriamente dito que Salvador vai jogar. Ele pode ser implementado tanto com recursos públicos quanto por PPP (Parceria Público-Privada). Sei que ACM Neto está debatendo, dentro da equipe de transição, soluções para melhorar o trânsito já em janeiro. 

BTD – E a saúde? Quais são as prioridades?
LP – Eu falo que ACM Neto tem que, primeiro, fazer o feijão com arroz em todos os setores. Colocar o serviço de limpeza urbana para funcionar com eficiência e rapidez. Da mesma forma, o serviço de iluminação. Melhorar a malha asfáltica de Salvador. Botar os postos de saúde existentes para funcionar bem, com médicos e medicamentos. Continuar a melhoria na infraestrutura das escolas municipais e implementar com força e prioridade a escola em tempo integral, que seria o grande boom da educação em Salvador. Se não em todas, mas em grande parte das escolas. Fazendo essas cinco coisas, a população já sentirá o impacto. O que a gente ouve muito hoje é a pessoa sair de casa e ver o lixo na porta. É andar de ônibus e sair com seu carro, que comprou com dificuldade, e cair no buraco. É ver a rua sem iluminação. Essa será a primeira cobrança das pessoas, que é colocar os serviços públicos que a prefeitura dispõe funcionando com eficiência e rapidez. Esse é o primeiro desafio de Neto, antes de qualquer coisa. 

BTD – Você pode citar projetos da atual gestão que ACM Neto pode dar continuidade?  
LP – Eu falei da continuidade da reforma das escolas, qualificação dos professores, convocação dos professores concursados, substituindo as pessoas do Reda, e a escola de tempo integral, que já existe em algumas escolas. Acho que Neto pode continuar também o programa de macro e microdrenagens na cidade, como os canais do Imbui, Vasco da Gama, Centenário e no Itaigara. Ele deve ser continuado em outros canais da cidade.

BTD – A cidade tem recursos para fazer o feijão com arroz? A sensação que temos é que Salvador não tem dinheiro nem para isso.  
LP – Eu tive oportunidade de ver que a cidade tem para fazer a parte dela. Neto prometeu reduzir as despesas para fazer o básico. Ela não recursos para grandes investimentos. Mas existem muitas obras previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Eu li uma entrevista do governador Wagner e achei muito positivo o fato de o governo manter obras na cidade, como a Via Expressa, que está em construção, e outros projetos. Acho também que ACM Neto apresentou um conjunto de propostas, ideias e projetos, nas eleições de 2008 e de 2012, que serão levados ao governo federal. Até porque, o governador disse que a Bahia não está numa situação financeira confortável. Hoje advém uma ajuda mais do governo federal para esses projetos. Tenho certeza que a presidente Dilma, vendo bons projetos e porque Salvador votou expressivamente nela,  trará os recursos para que a cidade avance. Na gestão de João Henrique o governo federal investiu, através do PMDB, que nos apoia. Espero que o partido e o governador Wagner nos ajudem nessa interlocução

BTD – Voltando para a Câmara. Já estão acontecendo as articulações para a presidência da Casa. Como vocês vão se posicionar? São três vereadores: você, Vado (Malassombrado) e Tinoco. Como o DEM está se articulando?
LP – Nós somos a terceira maior bancada da Câmara de Vereadores. Claro que temos um papel preponderante nessa decisão. Eu tenho uma defesa, já conversada com alguns pares. Dentro dessa não disposição de Neto de não interferir no processo de eleição da presidência da Câmara, procurei o meu partido e propus que façamos uma reunião para analisar os nomes. Eu vi quatro nomes da nossa base que estão colocados: Carlos Muniz (PTN), Alan Castro (PTN), Geraldo Júnior (PTN), Paulo Câmara (???) e Palinha (???). Todos têm o direito de pleitear a presidência. São vereadores testados e reeleitos. Defendo que o partido se posicione conjuntamente nessa eleição a favor de uma candidatura. Isso precisa ser um processo discutido internamente, e acho que entre o Natal e o Ano Novo a gente se posiciona sobre qual candidatura abraçar. 

BTD – A gente sabe que é muito difícil o Executivo sair dessa jogada. Até que ponto ACM Neto não vai interferir na escolha desse presidente?
LP – Acho que o primeiro vereador com quem ele falaria sobre sua preferência sobre A, B ou C seria eu. Ele nunca me falou sobre nenhum tipo de preferência. Nenhum prefeito deixou de se posicionar porque você tinha candidaturas de oposição. 

BTD – E Tia Eron? Ela é de oposição...
LP – Mas há facilidade de diálogo com a vereadora Eron, como há também com o vereador Edvaldo Brito. Vi uma entrevista dele (muito inteligentemente), onde disse que só se posicionará como candidato a Presidência da Câmara se for em consenso. Penso que a primeira meta da Câmara é achar o consenso. Isso é positivo. E ai eu discordo do vereador Hilton. A Mesa Diretora da Casa deve representar a pluralidade que existe no colegiado. Então, você bater chapa, pode excluir A ou B da Mesa. Você poderá não ter ninguém de um grupo ou ninguém do outro. E o momento político da Bahia exige a representação de todas as forças políticas. Até porque o Colegiado da Mesa é que decide todas as questões pertinentes à Câmara. Então, o que defendo é uma candidatura que represente todas as forças políticas da Câmara de Vereadores. É importante que o debate vá se exaurindo e os nomes se afunilem. Eu não acredito que o PTN, por exemplo, venha com os três nomes (Muniz, Castro e Júnior). 

BTD – E qual a tendência do PTN, já que você tem essa ligação com João Carlos Bacelar (presidente estadual do partido)? Seria o Carlos Muniz, por ter sido o mais votado?
LP – Eu não sei dizer sobre as questões internas do PTN, que é quem pode falar sobre o assunto, apesar de ter uma ligação com o partido. Defendo que os nomes colocados se afunilem para um nome apenas. 


BTD – E você, é candidato a líder do governo?
LP – Veja, eu faço questão de dizer que liderança de governo e secretaria de prefeitura é uma decisão particular do prefeito. Leo Prates deseja que ACM Neto seja o melhor prefeito do país e traga as melhorias que a cidade precisa. Estou muito feliz como vereador. Isso não exime de não aceitar o convite do prefeito. Aprendi que convite de prefeito, governador ou presidente não se recusa.  

BTD – E o esporte? Você disse que sempre teve uma ligação forte com o tema. 
LP – Apesar de nunca ter sido craque, mas sim o dono da bola (risos). 

BTD -  O que é que a cidade pode fazer nessa questão? Nós temos uma pobreza grande de espaços e equipamentos esportivos. Parece até que a Bahia se resume a futebol, a Bahia e Vitória. Não se ouve falar em outras modalidades, que tem muito potencial.
LP – Tem sim. É sabido por todos que temos uma raiz africana no esporte. Os grandes maratonistas internacionais são africanos. Por que eles conseguem se destacar mundialmente e nós não temos um baiano que se destaque no cenário internacional? Porque nós não temos uma infraestrutura esportiva que faça com que os jovens se destaquem nesse processo e tenhamos, assim, grandes atletas. Primeira coisa que acho é que o prefeito dê as mãos ao governador. Salvador não tem uma piscina olímpica. É preciso construir com urgência. O governo acenou com isso para o ano que vem. Nós tínhamos avançado muito na natação, produzindo Edvaldo Valério, que disputou Olimpíadas. Tivemos Naiara Ribeiro, que se destacou há algum tempo. Precisamos ter esses atletas aqui. A segunda coisa que acho importante é ter uma pista de atletismo. Destaco esses dois esportes porque são competições baratas, que se faz com pouco dinheiro e ainda reforçam a questão do turismo. O turismo esportivo é um tipo de turismo. Nós não trazemos competições nacionais e internacionais por falta de aparato e infraestrutura esportiva. Querendo ou não, o futebol é o esporte mais praticado no Brasil. Ele precisa ser analisado em duas vertentes: socialização e alto rendimento. Na socialização, você tem a quadra esportiva em muitos bairros que funciona como a praça, espaço de lazer, reunião da comunidade, a festa de aniversário e o local do babinha. Veja a importância que as quadras têm. ACM Neto prometeu, e vamos cobrar dele, uma ampla requalificação das quadras e campos da cidade. O alto rendimento é investimento na infraestrutura, como a Arena Fonte Nova, que tá ficando pronta com muita alegria. Mas tem que ter também a pista de atletismo e a piscina olímpica. Precisa ter um ginásio de basquete. A FTC tinha, até pouco tempo, um bom time de basquete. E é preciso se investir na base, tanto para a socialização quanto pro alto rendimento. E isso é com a escola em tempo integral, onde a criança terá um turno subsequente às aulas, que será na área esportiva. A gente pode estar perdendo talentos por não estar estimulando os jovens a praticar algum esporte. Acho que essas seriam as intervenções rápidas, que o governador e o prefeito eleito devem fazer. A grande lição também que ficou dessa eleição é que não há uma distinção perante as pessoas do que são as funções do governador e do prefeito. As pessoas querem ver a cidade bem. Assim, o prefeito e governador serão bem avaliados. O inverso também é verdadeiro: se a cidade estiver mal, prefeito e governado serão mal avaliados. 

BTD – E as questões do turismo e meio ambiente? A gente vê que Salvador não tem cuidado bem dos seus parques. Como a cidade pode contribuir para rever isso? No turismo, Salvador tem um passivo quanto aos seus equipamentos: Centro Histórico sem segurança, museus não são divulgados. Curitiba não tem patrimônio natural e conseguiu transformar o nada em pontos de altíssima visitação. E Salvador, com tudo o que tem, não consegue.
LP – Você não terá turistas se os serviços públicos não tiverem funcionando bem. A falta de segurança é um problema grave que afasta os turistas. Governador e prefeito precisam se unirem pela segurança pública. A cidade precisa estar iluminada, com sua parte de jardinagem bem feita, suas calçadas reformadas, precisa apresentar um grande visual. A cidade precisa voltar a se desenvolver economicamente. Precisamos estimular vetores de crescimento para que, a partir de um desenvolvimento econômico, se gere turismo. O esporte – como falamos antes - também é para apoiar o turismo. É importante também que haja uma interlocução entre as câmaras de vereadores da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Temos a Baia de Todos os Santos belíssima, que pode abrigar competições náuticas e as cidades da RMS não conseguem aproveitar. Temo de discutir nossa baía, que pode estar ai o segundo grande boom. Já imaginou um roteiro turístico na baía, com cada ponto expondo sua identidade regional. Nossas raízes africanas podem gerar um corredor afro-turístico. Tudo isso passa por investimentos e entendimentos. Eu tenho certeza que o governador Wagner e a presidente Dilma investirão nisso. É preciso bons projetos e vontade. ACM Neto, até pela juventude, terá isso no sangue: lutar e reerguer o turismo. Temos alternativas mais do que qualquer outra cidade. A discussão também do modelo de Carnaval precisa ser feita para 2014.  

BTD – Como será a relação do DEM com os governos estadual e federal em relação a gestão da cidade?
LP – Vamos atuar com o papel que as urnas nos deram: ser oposição aos governos estadual e federal. Isso não impede que, em matérias que favoreçam a cidade de Salvador e a Bahia, o DEM se posicione a favor. Tudo que for positivo terá nosso apoio. Por exemplo, o Parque Tecnológico, tem nosso apoio enquanto partido. Quanto ao prefeito, ele sempre disse: “acabou a eleição, acabou o palanque”. ACM Neto tem uma grande vantagem, pois anunciou que não é candidato a nada em 2014. É uma decisão acertada. Ele não estará como protagonista da próxima disputa. Isso facilita o entendimento com o governador e a presidente. O governador também não será candidato ao governo e quer deixar seu nome na história da Bahia. Acho que a relação será harmônica por essas circunstâncias e convergências políticas. Há o interesse comum de os dois serem bem avaliados pela população. Estamos à disposição do governador para aquilo que for bom para a Bahia. E estamos à disposição do prefeito para tudo aquilo que for bom para Salvador. Esperamos que a presidente e o governador ajudem nossa cidade. Da parte de ACM Neto, que ele apresente bons projetos para que Dilma e Wagner se sensibilizem. Que eles se deem as mãos e façam um pacto por Salvador e lutem pelas melhorias que a cidade tanto precisa. Acho que vamos ver um prefeito e um governador trabalhando de mãos dadas por uma Salvador melhor. Tenho essa esperança e esse desejo. 

BTD – Então a gente verá uma posição mais amena do Democratas em relação ao governo do estado por vocês pensarem nessa ‘parceria’ entre Prefeitura e Governo?
LP – Fui eleito vereador de Salvador e tudo que o governador fizer para a cidade, terá meu apoio. Na Assembleia Legislativa, o partido continuará exercendo seu papel. O Democratas nunca se posicionou contra os interesses da Bahia. Naquilo que foi benéfico, o partido apoiou o governo do estado. E tudo que for ruim para a Bahia, nos posicionaremos contra. Não existe oposição mais amena ou mais agressiva. Nosso papel é fiscalizar o Executivo e não vamos aderir a governo nenhum. A boa relação entre o prefeito e o governador não deixará que o DEM exerça o seu papel. Assim como, o PT não vai deixar de fazer o seu papel de oposição ao prefeito ACM Neto. Quando estaremos unidos? Quando os interesses da Bahia e de Salvador estiverem juntos, em primeiro lugar.




 



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